Início › TAEG e TAN
Crédito e financiamento
TAEG e TAN: a diferença que vale centenas de euros
A TAN é a taxa de juro nominal que remunera o dinheiro emprestado; a TAEG é a taxa anual efetiva global, que soma aos juros todas as comissões, impostos e seguros obrigatórios. Só a TAEG permite comparar propostas de crédito automóvel entre si — uma TAN baixa pode esconder um financiamento caro.
O que mede exatamente a TAN
TAN significa taxa anual nominal. É a percentagem aplicada ao capital em dívida para calcular os juros de cada mensalidade: dividida por 12, dá a taxa mensal usada na fórmula da prestação — pode testar o efeito no simulador de crédito automóvel. Pode ser fixa durante todo o contrato ou variável, indexada à Euribor acrescida de um spread. O que a TAN nunca mostra são os custos à margem dos juros, e é precisamente aí que as propostas se distinguem.
O que a TAEG acrescenta
A TAEG incorpora, além dos juros calculados pela TAN, os restantes encargos obrigatórios do empréstimo:
- Comissão de abertura ou de dossier;
- Comissões de processamento cobradas em cada prestação;
- Imposto do selo sobre o capital e sobre os juros;
- Seguros exigidos como condição do financiamento (vida ou proteção do veículo);
- Custos de manutenção de conta quando a abertura de conta é obrigatória.
Ficam de fora custos que não decorrem do contrato de crédito, como combustível, IUC ou manutenção do carro.
TAN baixa, custo alto: um exemplo com números
Considere duas propostas para financiar 12 000 € a 60 meses — valores ilustrativos, apenas para demonstrar o mecanismo:
| Elemento | Proposta A | Proposta B |
|---|---|---|
| TAN | 6,5% | 5,9% |
| Prestação de capital e juros | ≈ 235 € | ≈ 231 € |
| Comissão inicial | 0 € | 400 € |
| Seguro exigido | — | 15 €/mês |
| Custo total aproximado | ≈ 14 090 € | ≈ 15 180 € |
A proposta B anuncia a TAN mais baixa, mas custa perto de 1 100 € a mais no total — diferença que a TAEG (e o MTIC) denunciariam de imediato. Por isso, ignore a taxa em destaque na montra e exija sempre os dois indicadores efetivos, seja num crédito clássico, num leasing ou num ALD.
Como ler a FINE antes de assinar
A FINE (ficha de informação normalizada europeia) é o documento pré-contratual obrigatório no crédito aos consumidores. Localize nela quatro linhas: TAN, TAEG, MTIC e o quadro de reembolso com o número e valor das prestações. Verifique se o seguro incluído na TAEG corresponde ao que realmente vai contratar e se existem comissões de reembolso antecipado. Guarde as FINE de todas as propostas — são a base objetiva para negociar com o stand e com o banco. Os máximos legais da TAEG por segmento são publicados trimestralmente pelo Banco de Portugal; consulte a tabela em vigor em vez de confiar em valores citados em anúncios.
Onde a diferença pesa mais
O intervalo entre TAN e TAEG tende a alargar-se nos financiamentos de menor montante, porque as comissões fixas pesam proporcionalmente mais — situação comum no crédito automóvel para usados. Antes de decidir o montante a pedir, avalie também como a entrada inicial e o valor residual alteram os juros totais do contrato.
Resumo operacional em três passos: peça a FINE de cada proposta, alinhe montante e prazo entre elas, e ordene pela TAEG confirmando o desempate com o MTIC. Quem segue esta rotina elimina o efeito de montra das taxas nominais publicitadas e escolhe, com dados, o financiamento verdadeiramente mais barato.
Continue a ler
Guias relacionados
Perguntas frequentes
Perguntas frequentes
A TAEG pode ser igual à TAN?
Só num crédito sem qualquer comissão, seguro exigido ou imposto — cenário praticamente inexistente. Na prática a TAEG é sempre superior à TAN, e a distância entre as duas revela o peso dos encargos que a taxa nominal esconde.
Existe um limite legal para a TAEG no crédito automóvel?
Sim. No crédito aos consumidores em Portugal vigoram taxas máximas trimestrais, calculadas pelo Banco de Portugal a partir das TAEG médias praticadas por segmento. Os valores mudam a cada trimestre, pelo que deve consultar a tabela em vigor no site do Banco de Portugal.
O que é o MTIC e como se relaciona com a TAEG?
O MTIC — montante total imputado ao consumidor — é a soma em euros de tudo o que pagará: capital, juros, comissões, impostos e seguros exigidos. A TAEG exprime esse mesmo custo em percentagem anual. Para prazos iguais, os dois indicadores apontam para a mesma proposta vencedora.
Posso recusar o seguro associado ao crédito?
Depende. Se o seguro for condição de contratação, o seu custo tem de estar refletido na TAEG apresentada. Se for facultativo, pode recusá-lo ou contratá-lo noutra seguradora; nesse caso compare o efeito no preço total, porque alguns bancos baixam a taxa em troca de produtos associados.